As ruas falam sem parar. A falta de lideranças claramente identificáveis e o rosário de propostas não diminuem a força do grito. O Brasil está cansado de promessas e do mundo de fantasia das propagandas políticas e governamentais.
Não custa nada ressaltar: a Fifa não pediu para o Brasil fazer a Copa do Mundo. O Brasil quis fazer a Copa, festejou quando foi escolhido.

O então presidente, Lula, e a atual, Dilma, capitalizaram a escolha, assim como governadores e prefeitos de estados e cidades escolhidas, e também a CBF, que fez a festa na distribuição de amistosos como pagamento de favores políticos.
Esse mundo envelheceu cem anos em uma semana.

A Fifa, tão cara a relacionamentos diretos e amistosos com os poderes constituídos, deve estar lamentando até o último dos parcos fios de cabelo de Blatter ter sido o Brasil o escolhido para a Copa.

Mas não se trata de, com o perdão do uso da frase do “poeta” Jerome Valcke, dar um chute no traseiro da Fifa e da Copa do Mundo. Isso é bobagem. A Fifa é uma entidade privada que preza pelo bom relacionamento com o que é público e poderoso. Tem interesse em lucrar com o seu negócio, que é o futebol.

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Os advogados da Fifa são defensores muito melhores do que eu, até porque não quero defender a entidade. O que me interessa, como cidadão brasileiro que paga seus pesados impostos em dia, é no que o governo e a CBF transformaram a Copa.

Quem decidiu fazer 12 sedes e estádios nababescos em locais praticamente sem futebol profissional? CBF e governo. Quem deu o viés público para um evento privado foram, novamente, CBF e governo. Mesmo depois de prometerem que esta seria uma Copa do investimento privado.

Eu quero a Copa no Brasil. Como evento, para quem trabalha com jornalismo esportivo, é uma oportunidade fantástica. Mas é preciso fazer a Copa do Brasil real, não a Copa de propaganda oficial, a Copa do interesse eleitoral e da gratidão àqueles que financiam as campanhas eleitorais — que são os mesmos que estão construindo os estádios.

É preciso acabar com a Copa da mania da grandeza, desse sonho cafona do Brasil, seja de direita ou de esquerda, de se vender como a cereja do bolo, o país do futuro e entregar uma nação de Terceiro Mundo.

No meu sonho imagino uma Copa repaginada, com apenas oito ou dez sedes, com acerto de contas público de gastos e punição aos responsáveis por gastos exagerados. Uma realocação de recursos para acelerar obras de mobilidade e impacto social. Um acordo solidário de Fifa e organizadores para oferecer uma cota de ingressos para escolas públicas e entidades sociais.

Em vez de mostrar ao planeta um mundo idílico de belos estádios e áreas VIP deslumbrantes, por que não entregar estádios no tal padrão Fifa, mas com benefícios no entorno que fiquem para todos os cidadãos?
A Copa pode, sim, trazer turistas, dinheiro, empregos e benefícios futuros. Mas ela precisa ser tocada com o pensamento bem longe de favores políticos, interesses eleitorais e negociatas.

Em um ano dá para corrigir rota, reparar estragos e entregar um evento que gere mais esperança e alegria do que ódio e revolta.

De camarote

O alto escalão do STJD viu de perto — e com todo o conforto — a vitória do Brasil sobre o México, em Fortaleza. A capital cearense recebeu em alto estilo a fina flor da Justiça Desportiva brasileira, que engrossou a lista de convidados da CBF. Com direito a hospedagem no hotel que era o QG da Fifa.

Serviços

Apesar da enorme boa vontade, os voluntários que trabalham nesta edição da Copa das Confederações escancaram uma das muitas mazelas brasileiras: a precariedade dos serviços. Raros são os que falam inglês e, mesmo sorridentes, mais raros ainda os que sabem dar uma informação solicitada.

Curling taitiano

Sabe o curling, aquele jogo que parece mistura de bocha com malha, fez sucesso na TV na Olimpíada de Inverno e virou queridinho por aqui? Pois o Taiti é o curling da Copa das Confederações.
Ninguém entende, ninguém conhece um jogador, mas todos se apaixonaram pelo frágil futebol amador e desconhecido.

Nó tático

O Fator Marcelo. É assim que chamo o principal desafio tático de Felipão na seleção brasileira. Marcelo é uma opção ofensiva preciosa, indispensável e que pode ser decisiva na Copa do Mundo. Mas Marcelo também é um ponto vulnerável na defesa, na recomposição e ocupa uma área do campo brasileiro que os adversários espertamente começam a explorar.
Como era jogador de meio-campo e naquele setor desenvolveu o passe objetivo e a chegada como fator surpresa na área inimiga,

Marcelo se transformou num ala, ou “wing”, como dizem os europeus, temido pelas defesas adversárias.
Mas como fazer para encontrar o equilíbrio e não deixar o tal buraco às costas de Marcelo? A tentativa atual de Felipão é proteger a defesa com um volante de contenção, Luiz Gustavo. Só que a Itália mostrou que o Brasil se complica com a seguinte situação: um centroavante bom de bola, um meia centralizado rápido e dois pontas abertos. Foi assim que os italianos deram canseira no Brasil, no último sábado.

O problema é bom. Na equação final, é melhor ter Marcelo decidindo na frente, ainda que complique atrás. Há tempo para encontrar a solução. Mas qualquer que seja, ela passa pela permanência do lateral merengue. Embora não seja escalado nessa posição, Marcelo é um dos mais perigosos atacantes do Brasil e forma uma dupla infernal com Neymar pelo lado esquerdo.

A próxima copa do mundo já está chegando, mas não será realizada no Brasil, a abertura da copa do mundo 2018 será na Rússia, onde serão realizados todos os jogos, se prepare, pois será emocionante.