Constantemente o projetoBLOG traz novas ideias e projetos de edifícios e cidades sustentáveis que procuram melhorar a qualidade de vida das pessoas, para muitos céticos a sustentabilidade é mera moda passageira, utopia delirante de arquitetos sonhadores e sem nexo com a realidade, ou simplesmente especulação imobiliária e comercial afim de vender uma nova leva de greenwashings. O post de hoje traz uma lembrança do que acontece quando o poder público dá as costas ao planejamento urbano e as pessoas passam a viver em situações pouco sustentáveis, conheça a cidade murada de Kowloon em Hong Kong.
A cidade murada de Kowloon, foi por muitos anos o local de maior densidade populacional da Terra, em seu ápice demográfico chegou a abrigar 50.000 habitantes em um espaço de 0,026km², contabilizando 1.900.000 habitantes por quilômetro quadrado (1,96 hab/m²). O peculiar crescimento urbano desregrado desta pequena área no sudeste da China se deu em conta de fatores históricos.
A história de Kolwoon remonta ao período entre os séculos 10 e 13, durante a dinastia Song, quando um posto comercial avançado foi montado no local para fiscalização da venda e compra de sal na região. Em 1810 um forte militar foi construído no local para proteger o litoral da região, três decadas depois viria a possessão britänica da área, em 1842. Alguns anos mais tarde a área de domínio britânico seria expandida na direção do forte de Kolwoon o englobando, porém o forte permaneceria parte da China. Ao inicio do século XX, a pressão inglesa sobre o forte fez com que as autoridades o abandonassem, restando então no local apenas 150 residentes.
O crescimento exponencial da população de Kolwoon se dá após o fim da segunda guerra mundial, que marcou a saída dos invasores japoneses da região de Honk Kong, aproveitando-se da ocasião vários habitantes da cidade aproveitaram para se refugiar dentro da região aonde existirá as muralhas do forte (destruídas pelos japoneses e utilizadas como materia prima para a construção do aeroporto de Kai Tak). Na ocasião a China reclama autoridade sobre a cidade porém sem intervenção direta para melhorar ou regulamentar o local.
Sem controle policial, e protegidas por uma penumbra geopolítica, as chamadas tríades – organizações criminosas – passam a dominar o local durante a década de 50, controlando casas de jogos, bordéis e venda de armas e drogas no local. A situação só muda em 1973 quando a polícia local de Hong Kong decide intervir dentro dos limites da cidade murada, 3.500 policiais invadem Kolwoon e prendem 2.500 pessoas, enfraquecendo o poder dos cartéis e iniciando um processo de pacificação.
Relatos de pessoas que se aventuravam no local contam que ao se entrar na cidade, a impressão era de se entrar em outro mundo. Tendo crescido organicamente e com apenas dois princípios urbanísticos - ligar a rede elétrica e não ultrapassar 14 andares de altura devido ao cone aéreo – Kolwoon possuía estreitas vielas de circulação com até 1 metro de largura que cruzavam-na de ponta a ponta em diversos níveis, clima úmido e frio, nenhum ruído de carros ou ônibus, cheiro de podridão e vasta áreas sem janelas ou iluminação natural alguma. Pessoas que moraram no lugar conta que embora os habitantes vivessem majoritariamente de atividades ilegais não havia problemas de criminalidade dentro da cidadela, que chegou a registrar os menores índices de crime da região de Hong Kong.
A cidade das trevas teve sua história findada em 1993 quando se iniciou o processo de demolição do local, dando local a um parque urbano.













Cena de filme apocalíptico-futurista chines.
O interessante é analisar que com a falta do poder público atuante no espaço, a organização social e o modo de vida dos habitantes se torna algo como "selvagem" na busca de espaço físico e piscológico
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