Tivemos a honra de conversar com Jorge Zalszupin em sua própria casa, ele nos recebeu para um papo sobre sua chegada ao Brasil e como se estabeleceu na arquitetura e no design brasileiro.
Jerzy Zalszupin é polonês e nasceu na cidade de Varsóvia no ano de 1922, quando explodiu a guerra teve que mudar de país e acabou indo para a Romênia onde fez o curso de Belas Artes, logo depois veio a se formar arquiteto aos 23 anos. Com o fim da guerra acabou se mudando para a cidade de Dunquerque na França, na época um povoado de apenas dois mil habitantes. Lá ele tinha bastante trabalho já que toda a velha Europa passava por uma grande reconstrução pós guerra. E por cinco anos ele trabalhou na França, já estava noivo, quando ouviu a um amigo que o questionou. “É isso que você realmente quer da vida? Ficar por aqui?” Jorge então decidiu mudar de ares, tentou a imigração para diversos países mas quis o destino que o escolhido fosse o Brasil.
Em 1949, chegava ao Rio de Janeiro, sozinho, apenas com a cara e a coragem. Em sua adaptação, Jerzy acabou virando Jorge e assim ficou. Com pouco dinheiro Jorge procurou emprego na área mas como não tinha sua cidadania reconhecida não conseguia atuar como arquiteto, acabou então trabalhando como desenhista. Nesse momento Jorge nos conta um drama que viveu. ” Eu queria a minha dupla cidadania, assim eu poderia trabalhar como arquiteto, contratei um advogado, entreguei os documentos necessários e também o meu diploma, e achei que seria rápido.” Após uma longa espera, o advogado não dava notícias e Jorge decidiu correr atrás do advogado para ver o porquê da demora, o advogado contou que quando havia saído do encontro com Jorge, enrolou o diploma juntamente com uma revista e o pôs sob o braço, depois de muito caminhar percebeu que havia perdido o diploma. Nesse período ausente o advogado já havia feito vários anúncios à procura do diploma, praticamente todos os jornais já haviam sido contatados e ele já havia desistido. Jorge, indignado, obrigou o advogado a anunciar no último jornal que sobrará, um dia depois ao anúncio, Jorge recebeu a ligação que haviam achado seu diploma, um grande alívio para Jorge que enfim conseguiu a dupla cidadania e assim, atuar como arquiteto.
Abriu escritório de arquitetura, no entanto ao cansar-se de projetar e mandar fabricar móveis exclusivos para as residências de seus clientes, decidiu associar-se a um grupo de marceneiros e produzir pequenas séries. Assim surgiu a fábrica l’Atelier, que logo começou a fabricar móveis de escritórios e que passou de uma marcenaria de procedimentos artesanais a uma indústria com produção seriada. A primeira peça desta série foi feita em 1959 e é uma poltrona apelidada de ‘Dinamarquesa’ pelos funcionários. Construída de jacarandá e estofada, e ela tem pés palito e o desenho de seus braços e pés frontais lembram as colunas projetadas por Niemeyer para o Palácio do Alvorada.
Em 1980, após a dissolução da L’atelier, Zalszupin começo a se dedicar exclusivamente para a arquitetura, atividade que nunca havia abandonado. Na arquitetura, Jorge desenvolveu uma série de residências que ocupam bairros nobres da cidade e arranha céus que percorrem a Avenida Paulista e o Vale do Anhangabaú.
A partir de 2005, a empresa Etel Marcenaria passou a produzir vários dos itens projetados por Zalszupin para l’Atelier – entre eles a poltrona ‘Dinamarquesa’ – , privilegiando os objetos da fase artesanal da empresa.
Fonte: catalogodasartes









